All posts by Catarina Alves

Catarina nasceu em Lisboa em 1978 e passaram muitos anos até que percebesse que a revolta que sentia face à desigualdade se chamava feminismo. De espírito inquieto e curioso, passou por várias áreas até encontrar uma área de estudo em que se sentisse confortável: a intervenção social. Com o grau de Mestre em Estudos de Género, Mulher e Cidadania pelo Instituto Interuniversitário de Estudos de Género da Catalunha, desenvolveu estudos no âmbito do género e migração, prostituição e tráfico de mulheres com fins de exploração sexual, trabalhando principalmente com imigrantes africanas. Trabalha há 6 anos no Departamento de Mulher da Câmara Municipal de Barcelona, num serviço de assistência directa a mulheres que exercem a prostituição, enquanto dá aulas pontualmente em várias Universidades da Catalunha e tutoriza e desenvolve vários trabalhos de investigação nas áreas da violência de género e prostituição.

Decisão histórica da Amnistia Internacional no reconhecimento de direitos das trabalhadoras sexuais

As últimas semanas foram conturbadas e intensas para as trabalhadoras sexuais activistas de todo o mundo e para as organizações feministas que se lhes opõem. Uma das mais antigas e aguerridas lutas do feminismo (criminalização vs regulação do trabalho sexual) atingiu um momento histórico quando no dia 7 de Julho de 2015 a Amnistia Internacional(AI) anunciou uma proposta de rascunho de uma resolução sobre a tomada de posição desta entidade em relação ao trabalho sexual, criminalizado em vários países do mundo. Esta proposta de rascunho demonstrava uma clara vontade por parte da AI em recomendar a descriminalização da actividade, tornando visíveis os valores de respeito e protecção dos direitos humanos das trabalhadoras sexuais.

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Maternidade e prostituição: que relação?

As mulheres que exercem a prostituição sempre sofreram da atribuição gratuita da etiqueta de má mulher. As estigmatizações sociais que sofrem as mulheres em geral estão intimamente ligadas à construção dos papéis de género e a prostituição, entre muitas outras coisas, significa autonomia, significa transgressão das regras sexuais normativas e significa a utilização do corpo como estratégia de empoderamento e, portanto, de negação da necessidade de ter um companheiro masculino provedor.

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O 25 de Abril já chegou às mulheres?

Quando se fala do momento histórico do 25 de Abril de 1974 o discurso geralmente versa sobre a liberdade adquirida, o fim da censura, a universalidade de direitos, a possibilidade de votar em novos partidos e os novos desafios na construção da democracia. Esta dimensão pública do 25 de Abril acaba muitas vezes por abafar a dimensão privada e as mudanças na esfera íntima das relações familiares e pessoais e, mais concretamente, a dimensão das mulheres.

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Prostituição: Ideias para um debate

Não há debate que mais divida as feministas do que o debate em torno à dicotomia da regulação/abolição da prostituição feminina. Seja no âmbito puramente teórico do feminismo ou seja no quotidiano, toda a gente tem uma palavra a dizer e a ferocidade do debate vai aumentando exponencialmente à medida que xs participantes se dão conta que estão numa espécie de Catch 22, um debate cheio de paradoxos, contradições e becos sem saída.

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O perigo da subtileza: prostituição e media

No ano 2008 vários jornais na Catalunha publicaram a notícia surpreendente de que a Presidente de Câmara de um município na zona de Girona decidiu deitar Zotal numa rotunda para ver-se livre de uma mulher que aí oferecia serviços sexuais. Para quem não esteja familiarizadx com o produto, o Zotal é um desinfectante que se “destina à eliminação de microorganismos como bactérias, vírus, fungos e micróbios”.

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