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Resoluções feministas

O início do ano é muito mais do que mudar o calendário. São 365 dias novinhos em folha, repletos de potencial, que nos caem nas mãos, e não os queremos deixar fugir. Entre festas e celebrações, foguetes e champanhe, analisa-se o ano que passou e, como não podia deixar de ser, tomam-se resoluções para o ano que chega.
Estas resoluções costumam ser sempre nos mesmos moldes: ser uma pessoa melhor, lançar um projecto pessoal, fazer mais exercício, mudar a dieta… E se em vez de explorarmos as nossas inseguranças, lutarmos contra as que o patriarcado nos imprime? 

E tudo 2014 levou…

Gamergate. Ferguson. YesAllWomen. NotAllMen. Beyonce. Emma Watson. 2014 foi um ano e pêras para o feminismo.
Foi o ano em que a frágil ilusão do mundo pós-racismo se desfez em balas. Foi o ano em que a misoginia criou (pelo menos) um assassínio em massa. Foi o ano em que uma estudante, em protesto, decidiu andar pela sua universidade carregando o colchão em que foi violada – e mostrou ao Mundo a podridão do tratamento que as Universidades dão às violações entre estudantes.
Mas também foi o ano em que Malala Yousafzai recebeu o Prémio Nobel da Paz. Foi o ano em que Emma Watson trouxe o feminismo para as bocas das Nações Unidas, e a Beyoncé o trouxe para as bocas de toda a gente. Foi o ano em que “Feminismo de redes sociais” deixou de ser um insulto, com hashtags como #BlackLivesMatter e #YesAllWomen e #LikeAGirl a mostrar que o feminismo está vivo, interseccional, e recomenda-se, muito obrigada.
Não é fácil tirar conclusões sobre o estado do feminismo a partir do resumo de um ano. A luta pela justiça social faz-se a longo prazo. Estamos melhor ou pior do que estávamos? O balanço é positivo ou negativo? Acho que o balanço é sempre negativo quando há vidas que se perdem à custa do patriarcado, e é sempre positivo quando há batalhas que se ganham, leis que se alteram, progressos que se alcançam.
Se podemos concluir alguma coisa, é que a palavra “Feminismo” está a voltar ao mainstream em força, e que no mundo globalizado as nossas vozes, quando se juntam, têm o poder de mudar as coisas. E se ainda não ganhámos a guerra, pelo menos há esperança, e batalha a batalha vamos avançando.

Ano Novo…Hashtag Nova?

O início do ano é muito mais do que mudar o calendário. São 365 dias novinhos em folha, repletos de potencial, que nos caem nas mãos, e não os queremos deixar fugir. Entre festas e celebrações, foguetes e champanhe, analisa-se o ano que passou e, como não podia deixar de ser, tomam-se resoluções para o ano que chega.
Estas resoluções costumam ser sempre nos mesmos moldes: ser uma pessoa melhor, lançar um projecto pessoal, fazer mais exercício, mudar a dieta… coisas que, diz a blogger feminista Ijeoma Oluo, são reflexos das nossas inseguranças e da nossa vontade de nos integrarmos na sociedade patriarcal em vez de lutar contra ela, e só vão gerar ainda mais inseguranças quando inevitavelmente desistirmos delas.
Foi por isso, em forma de boicote e protesto, que criou a hashtag #FeministNewYearResolutions (#ResoluçõesDeAnoNovoFeministas) que fez furor no Twitter. Começou com ideias simples e eficazes:

1“Deixar de dizer aos gajos que tenho namorado quando não estou interessada.”2“Deixar de preambular as minhas opiniões com “Não sei, mas…” ou “Posso estar errada…””

3“Refilar com as pessoas quando são sexistas, mesmo que torne as coisas desconfortáveis.”

Alguns tweets eram verdadeiramente poderosos:4“Ouvir mais outros grupos minoritários, perceber melhor a intersecção de preconceitos e ser uma melhor aliada”5“Não vou permitir que o medo me impeça de defender a justiça social e dar voz Às minhas convicções.”6“Defender-me a mim e às outras raparigas, deixar de ser espectadora”7“Usar o que bem me apetecer porque a escolha é minha. Para mais, defender o direito dxs outrxs de fazer o mesmo.”

E claro, porque não seria o twitter sem humor e sarcasmo, rapidamente surgiram ideias mais divertidas:

8“Quando um gajo me manda fazer-lhe uma sandes, pô-lo entre duas fatias de pão e comê-lo vivo”9“Quando perguntarem porque não és casadx, grita “SOU CASADX COM A LUTA” e vira uma mesa.”10“Quando um gajo te mandar “Inverter esse mau humor”, faz o pino e dá-lhe um pontapé na cara.”

Vários meios noticiosos aperceberam-se desta tendência e fizeram artigos com sugestões de objectivos e resoluções para 2015, desde “Elogiar mulheres e aceitar elogios” a “Organizar uma marcha”. A Jessica Valenti, no Guardian, exorta-nos à acção, e coloca o enfoque nas coisas que podemos mudar à nossa volta – focar-nos em combater a violência doméstica e lutar por leis e regras que permitam às mulheres estarem seguras online, por exemplo.
Com tantas sugestões, não há desculpa para não adoptar pelo menos uma resolução feminista, e quando a motivação falhar só nos temos de lembrar que passo a passo estamos a lutar por um Mundo melhor. E porque não sou fã do “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, aqui vão as minhas #ResoluçõesFeministas, para que não me deixem esquecer-me delas!

  • Partilhar pelo menos um artigo feminista por mês no meu Facebook pessoal.
  • Participar em pelo menos duas marchas ou manifestações feministas.
  • Ler pelo menos dois livros de mulheres por cada livro que ler escrito por um homem.
  • Encontrar pelo menos 3 blogs feministas interseccionais e segui-los.

E vocês, quais são as vossas resoluções feministas? Partilhem pelo Facebook ou Twitter, e não se esqueçam da hashtag #OClitorisDaRazao para podermos ver! Afinal, a união faz a força!

Ana Coelho

Ana Coelho

Quando era criança, queria ser cientista e salvar o Mundo. Cresceu, formou-se em Química, fez investigação e agora está à procura de novas aventuras. Entre livros, filmes e jogos, salva regularmente vários mundos e até galáxias inteiras do conforto do seu sofá. Tropeçou no feminismo quase por acaso, e nada por acaso ficou. Viciada na Internet, é mais provável que esteja a par dos escândalos de uma qualquer sub-comunidade contra-cultura americana do que do que passa nas notícias portuguesas.
Ana Coelho

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