Adelaide Cabete (1867 – 1935) – Feminista, Médica, Pioneira

Adelaide Cabete – Feminista, Médica, Pioneira

O nome de Adelaide Cabete é, talvez apenas e a muito custo, mencionado em relação ao bordamento da bandeira de Portugal hasteada quando se deu a Implementação da República. A verdade é que a contribuição desta feminista histórica para o nosso país vai muito para além disso, o seu nome simplesmente ficou esquecido, tal como o de inúmeras mulheres ao longo da História.

Tendo nascido numa família pobre, trabalhou desde muito nova e só aprendeu a ler e a escrever aos 20 anos quando iniciou o seu percurso escolar, após casar com o sargento republicano Manuel Cabete. Em apenas 13 anos completou o ensino Primário, Secundário e formou-se na Escola Medico-Cirúrgica de Lisboa. Foi a terceira mulher em Portugal a formar-se em Medicina, tornou-se então médica obstetra e ginecologista e abriu um consultório na Baixa de Lisboa.

O seu ativismo é de louvar, esteve envolvida e contribuiu dinamicamente para várias associações – como o Grupo Português de Estudos Feministas, a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, a Ligas de Bondade, a Liga Antialcoólica e a Liga Portuguesa Abolicionista – onde contactou com importantes figuras do feminismo como Carolina Beatriz Ângelo.

Fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1947), a mais importante e duradoura organização de mulheres da primeira metade do séc. XX. Organização destinada a mulheres de todas as classes sociais, religiões e ideologias políticas e que partia da premissa “que a libertação da mulher há-de ser obra da mesma mulher, porque é intuitivo e lógico que não hão-de ser aqueles que se encontram na posse de todos os privilégios e regalias, que se hão-de apressar a cedê-los espontaneamente”.

Participou em vários congressos feministas internacionais, tendo representado Portugal nalguns deles (Gand 1913; Roma 1923; Washington 1925) onde defendeu diversos assuntos, tais como o direito da mulher aceder aos cargos de topo na hierarquia do ensino e o direito a um mês de repouso para as grávidas antes do parto; organizou o I Congresso Feminista e de Educação em Portugal; também foi pioneira na Maçonaria onde liderou a primeira Loja Feminina de Adoção e abriu caminho para o reconhecimento das mulheres nesta organização.

Adelaide Cabete: Professora e Médica
“A professora e médica, ensinando as alunas a tratar das criancinhas”

Nestas atividades lutou incessantemente em prol do melhoramento dos direitos das mulheres e da emancipação feminina, tanto da sua situação legal como do seu lugar na sociedade; focou a sua atenção na defesa dos direitos das grávidas, neste sentido exaltou o ensino da puericultura e da higiene e insistiu na criação de uma maternidade em Lisboa, na proteção da mulher pobre e das prostitutas, no melhoramento da Saúde Pública, na criação de gabinetes de consulta para profissões, educação e proteção a mulheres e crianças das comunidades imigrantes, assim como na proteção das crianças contra os maus tratos, trabalhos pesados e prostituição.

Em 1926 porém, desiludida com a ditadura do Estado Novo parte para Angola, aí dedicou-se maioritariamente à medicina e a assuntos de defesa dos indígenas. Em 1933 votou a Constituição Portuguesa em Luanda, tendo sido a única mulher a fazê-lo. Acaba por morrer em 1935 após voltar a Lisboa, devido a complicações de saúde.

O percurso de Adelaide Cabete é extraordinário e a sua contribuição na luta pelos direitos das mulheres e pela melhoria da sociedade em geral é de louvar. A extensão da sua luta, a sua perseverança e o trabalho realizado neste sentido merece muito mais reconhecimento, daí a importância de se dar aqui a conhecer a sua história.

Para posterior pesquisa sobre Adelaide Cabete ficam aqui algumas obras e interessantes:

Vânia Braguez

Vânia Braguez

Nasceu na Margem Sul e cresceu num bairro “problemático” cheio de vida e cor, onde jogava à bola com xs miúdxs mais velhxs e desde cedo se apercebeu que, por ser rapariga, tinha um tratamento diferente e que isso não estava bem. Depois do Secundário decide não continuar os estudos, vai fazer voluntariado (WWOOF) para a Beira Baixa e descobre um modo de vida completamente diferente no meio da Natureza. Gosta de apanhar cogumelos na floresta, de descobrir música nova e dequestionar modos de pensar e de viver
Vânia Braguez

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